A maior parte dos investimentos em tecnologia não fracassa por causa da tecnologia. Fracassa por causa da gestão.
O mercado veterinário evoluiu muito nos últimos anos.
Hoje vemos hospitais e clínicas investindo em tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia de alta resolução, equipamentos laboratoriais automatizados, prontuários eletrônicos, CRMs, plataformas de gestão e diversas outras soluções.
Tudo isso é importante.
Mas existe uma pergunta que deveria anteceder qualquer investimento:
Nossa operação está preparada para transformar essa tecnologia em resultado?
Segundo estudos da McKinsey, apenas uma pequena parcela das iniciativas de transformação digital alcança plenamente seus objetivos. O principal motivo não está na tecnologia adquirida, mas na dificuldade de adaptar processos, desenvolver pessoas e conduzir a mudança organizacional.
Essa realidade não é exclusiva das grandes empresas.
No setor veterinário, encontramos hospitais extremamente bem equipados que ainda enfrentam gargalos operacionais, baixa produtividade, retrabalho, falhas de comunicação e dificuldades para entregar uma experiência consistente ao cliente.
O problema, muitas vezes, não está no equipamento.
Está na forma como ele foi incorporado à operação.
Toda implantação exige uma curva de aprendizado.
Novos equipamentos e sistemas alteram rotinas, exigem treinamento, revisão de processos, definição de indicadores e acompanhamento constante da liderança. Sem isso, o potencial da tecnologia dificilmente se converte em ganho operacional.
É por isso que o verdadeiro ROI não deve ser medido apenas pelo retorno financeiro do investimento.
Ele também precisa ser percebido em indicadores como:
- redução do tempo de atendimento;
- aumento da produtividade da equipe;
- diminuição de erros e retrabalho;
- melhor utilização da capacidade instalada;
- maior satisfação e fidelização dos clientes;
- crescimento sustentável da rentabilidade.
Tecnologia é um potencializador.
Quando encontra processos sólidos e equipes bem preparadas, acelera o crescimento.
Quando encontra uma operação desorganizada, apenas torna os problemas mais sofisticados e, muitas vezes, mais caros.
Como diretor comercial, tenho observado que as organizações que mais se destacam não são necessariamente as que possuem os equipamentos mais modernos.
São aquelas que conseguem integrar estratégia, gestão, pessoas, processos e tecnologia em um único modelo operacional.
No final, a pergunta deixa de ser:
“Qual tecnologia devemos comprar?”
E passa a ser:
“Estamos preparados para gerar valor com a tecnologia que decidimos adquirir?”
Essa, na minha visão, é a diferença entre investir em ativos e construir uma operação de excelência.

por Justiniano Proença Filho





