Referências profissionais: o que muda com o tempo de carreira
Aline Santana
Referências
Ao longo da caminhada profissional tenho percebido algo curioso. Quanto mais avançamos nessa caminhada, mais desafiador parece encontrar pessoas que realmente ocupem um lugar de referência para nós.
Não porque faltem profissionais competentes ou que admiramos, mas talvez porque nossa régua vai mudando. Nossa visão de mundo se amplia e passamos a enxergar dimensões que antes não eram tão evidentes.
Quando somos mais jovens, acredito que nossas referências são muito construídas a partir daquilo que as pessoas sabem fazer. Admiramos o domínio do conhecimento, a habilidade, a destreza, a segurança e a capacidade técnica. Com o tempo, porém, passamos a enxergar aspectos para os quais antes não tínhamos repertório. Começamos a perceber como essas pessoas tratam os outros, como se comunicam, como reagem a discordâncias, erros e situações de poder.
Às vezes uma pessoa de grande competência técnica é justamente aquela que demonstra pouco repertório emocional ou interpessoal. Em outros casos, encontramos profissionais experientes que acumulam cargos e títulos, mas ainda têm dificuldade em reconhecer os próprios erros, lidar com diferenças ou considerar perspectivas que não sejam as suas.
Encontrar pessoas com um “desenvolvimento integral” (intelectual, emocional, interpessoal, entre outras dimensões) exige muito mais do que tempo de carreira. O tempo, por si só, não garante que alguém se torne mais sábio, mais íntegro ou mais consciente de si. Não existe atalho para a maturidade. Essas coisas também dependem de disposição para aprender, rever certezas, reconhecer falhas, escutar e se transformar.
Talvez uma das mudanças mais interessantes ao longo da carreira seja justamente essa, de deixar de procurar apenas pessoas que queremos nos tornar profissionalmente e passar a procurar pessoas que também admiramos pela forma como escolhem ser.
Texto: Aline Santana



