No palco do Bar Brahma já subiram Adoniran Barbosa e os Demônios da Garoa.

Esta semana, quem subiu foi um veterinário falando de mercado e margem operacional.
Ninguém pediu bis. rsrs
O tema foi a velocidade das mudanças no mercado veterinário: planos de saúde, consolidação e o eterno debate entre lucro e qualidade assistencial.
O cenário ajudou. A esquina da Ipiranga com a São João não é endereço qualquer (bar fundado em 1948, imóvel tombado, palco de boemia, samba e política paulistana), cruzamento eternizado por Caetano em “Sampa”.
Falar de EBITDA ali soa quase irreverente. E, ao mesmo tempo, faz todo sentido: negócio, no fim, também é cultura.
Na plateia, majoritariamente veterinários técnicos sêniores. Referências clínicas do setor. Gente que construiu reputação na medicina, não na planilha, e que hoje precisa decidir sobre credenciamento, sobre propostas de consolidação e sobre quanto da própria agenda entregar a um terceiro.
Três caminhos foram colocados na mesa quanto a planos de saúde:
➡️ credenciar-se a operadoras;
➡️ trabalhar por reembolso;
➡️ desenvolver produto próprio.
Nenhum é neutro. Cada um redistribui margem, autonomia clínica e risco de um jeito diferente.
O ponto que gerou mais debate foi a régua de concentração: nenhuma operação deveria depender de planos de saúde para mais de 30% do faturamento. Acima disso, o preço deixa de ser negociado e passa a ser informado.
E o segundo ponto, talvez mais incômodo:
não existe conflito estrutural entre lucro e qualidade assistencial. Existe conflito entre lucro e gestão amadora.
Operação com
✅ indicador acompanhado,
✅ protocolo clínico definido,
✅ processo desenhado
✅ equipe treinada
entrega medicina melhor E resultado melhor.
O trade-off só aparece quando falta uma dessas quatro coisas. Quando falta, a conta não some na planilha. Some no atendimento.
Consolidação não é ameaça nem salvação. É contexto. Quem tem fundamentos de gestão escolhe se entra, quando entra e por quanto. Quem não tem, aceita o termo que for oferecido.
À Organização, obrigado pelo convite… e pela chance de subir naquele palco sem precisar cantar. rsrs


Fabiano de Granville Ponce





