Meio ponto percentual.
Foi o quanto o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos encolheu em uma única quarta-feira.
Ontem, o Fed subiu os juros americanos para a faixa de 3,75% a 4%, a primeira alta desde 2023, e sinalizou mais uma até dezembro. Horas depois, o Copom cortou a Selic para 13,75%, no quinto corte consecutivo.
Para o mercado pet, a leitura não é simplesmente “juros caindo, tudo melhora”. São duas forças puxando em direções opostas.
➡️ Importação: o câmbio entra no radar Diferencial menor tende a reduzir a atratividade do real e pressionar o dólar. Vacinas, antiparasitários, insumos de pet food, equipamentos de imagem e analisadores laboratoriais carregam forte componente dolarizado. Quem importa ou compra de distribuidor precisa revisar tabelas e contratos agora, e não quando o reajuste chegar.
➡️ Exportação: uma janela possível Para a indústria nacional que vende alimentos e produtos pet ao exterior, um real mais fraco melhora a competitividade. Bom momento para revisar hedge e precificação em moeda forte.
➡️ Estoque: carregar ficou um pouco mais barato Com a Selic em queda, o custo de oportunidade do estoque diminui marginalmente. Antecipar a compra de itens críticos importados pode fazer sentido, desde que capital de giro não vire prateleira parada. Giro, curva ABC e validade continuam mandando.
➡️ Clínicas e hospitais: crédito ainda caro 13,75% segue sendo juro real elevado. Financiar equipamento, reforma ou expansão ainda exige payback muito bem calculado. O que muda é o sinal: se o ciclo de cortes continuar, 2027 pode abrir espaço para renegociar dívidas e retomar projetos de investimento. Quem chegar com números organizados negocia melhor.
E na recepção? A atividade econômica desacelera, e o responsável pelo pet sente isso no bolso. Procedimentos eletivos e ticket médio merecem acompanhamento semanal. Planos de saúde pet e modelos de recorrência ganham peso como amortecedores de receita.
A tese: 2026 termina com menos pressão dos juros internos e mais pressão cambial. Quem trata o câmbio como risco operacional, e não como manchete de economia, protege margem.
Talvez o maior risco do setor nos próximos meses não esteja (somente) na Selic, mas (também) no dólar embutido na nota fiscal do fornecedor.

Texto – Fabiano de Granville Ponce


