Insights By Sergio Lobato – Prosas sobre Gestão Técnica, Pessoas e

Sergio Lobato
Durante muitos anos, a Responsabilidade Técnica foi encarada por parte da classe médica veterinária como uma obrigação burocrática: um documento a ser assinado para atender às exigências dos Conselhos Profissionais. Essa visão talvez tenha sido a vigente e comum em um mercado menos complexo e em formação…. mas já não encontra espaço na realidade do mercado atual.
O mercado de serviços para animais de estimação evoluiu. Os clientes estão mais informados e exigentes, os órgãos fiscalizadores mais atuantes, a legislação mais abrangente e diversificada e as empresas mais expostas aos riscos operacionais, sanitários, jurídicos e reputacionais. Nesse cenário, dedicar tempo e esforços de aprendizado à Gestão Técnica deixou de ser apenas uma obrigação prevista no Código de Ética para se tornar uma competência estratégica dos profissionais do segmento veterinário.
Ainda assim, encontramos uma resistência persistente em reconhecer que a atividade de Responsabilidade Técnica exige presença, planejamento, acompanhamento de processos, treinamento de equipes, análise de indicadores, gestão documental e desenvolvimento de uma cultura de segurança. Não se trata de uma função que pode ser exercida apenas entre um atendimento clínico e outro, como um bico…. Ela demanda tempo, método e dedicação.
O profissional que insiste em enxergar a Responsabilidade Técnica apenas como uma exigência legal corre o risco de se tornar incompatível com as necessidades do mercado. Hoje, a RT representa um dos principais instrumentos para garantir conformidade regulatória, reduzir riscos, fortalecer a experiência do cliente, proteger a reputação da empresa e gerar vantagem competitiva.
A pergunta que precisa ser feita não é mais: “Quanto tempo sou obrigado a dedicar à Responsabilidade Técnica?”
A pergunta correta é: “Quanto tempo minha empresa precisa para operar com segurança, qualidade e sustentabilidade?”
A resposta dificilmente será encontrada na legislação. Ela será determinada pela complexidade da operação, pelo perfil da equipe, pelo volume de atendimentos e pelo nível de excelência que o estabelecimento pretende alcançar….o seu modelo de negócio…sua proposta …e o desejo de seu gestor!
O futuro da Medicina Veterinária não será construído apenas por excelentes clínicos e cirurgiões, mas também por médicos-veterinários capazes de liderar pessoas, estruturar processos, gerenciar riscos e transformar a Gestão Técnica em um diferencial estratégico. A Responsabilidade Técnica deixou de ser uma obrigatoriedade documental….. Tornou-se uma atividade de liderança. E liderança exige presença e conhecimento…
Pense nisso!
Sergio Lobato





