1% de penetração.
Esse é o tamanho do mercado de planos de saúde pet no Brasil — em um país com 166,8 milhões de animais e um setor que deve faturar R$ 81 bilhões em 2026.
Mas não foi esse número que motivou o lançamento do CoopCare na semana passada.
Foi um incômodo.
Primeiro o agradecimento: obrigado à Associação Brasileira dos Hospitais Veterinários (ABHV), ao João Abel Buck e ao Eduardo Pacheco pelo convite para o painel sobre planos de saúde.
Porque, no mesmo evento, a associação lançou o CoopCare, um plano de saúde animal estruturado como cooperativa. E a leitura apresentada pela ABHV foi direta: o problema hoje não é falta de plano. É a relação com os planos que existem.
➡️ Prazo de repasse longo demais.
➡️ Valor de repasse comprimido.
➡️ Glosa em volume.
Para um hospital veterinário, essa combinação tem nome em gestão:
🔎 capital de giro pressionado
🔎 margem que não fecha.
O CoopCare nasce como contraponto a isso. E é aí que o modelo cooperativo faz sentido estrutural.
▶️ Nos planos que dominam o mercado, quem assume o risco e quem entrega o atendimento são partes distintas, com interesses opostos.
A margem de um é o custo do outro.
Prazo e glosa deixam de ser falha operacional e viram alavanca financeira.
▶️ Na cooperativa, as duas pontas se encontram na mesma pessoa.
O cooperado é dono do risco e prestador do serviço.
A precificação nasce do custo assistencial real, não de negociação de força.
Um voto por cooperado. E o excedente volta para quem produziu.
Bonito no papel. Nada simples na prática.
Os riscos são conhecidos. A saúde humana já os viveu
🔷 Cooperativa não revoga atuária. Sinistralidade mal calculada quebra cooperativa como quebra seguradora. Massa pequena, carência frouxa e seleção adversa levam ao vermelho.
🔷 Capitalização. Cooperativa não capta equity. Cresce com o capital dos próprios cooperados — e escala em saúde consome caixa antes de gerar.
🔷 O incentivo se inverte. Se o cooperado é remunerado por procedimento e é dono do resultado, alguém precisa governar a indução de demanda. Isso se chama gestão, não confiança.
🔷 Governança democrática é lenta. Preço e rede em mercado competitivo pedem velocidade.
🔷 Vácuo regulatório. Planos veterinários não são regulados pela ANS. O PL 631/2026, que propõe marco para carências, reajustes, exclusões e descredenciamento, ainda tramita na Câmara.
Nada disso é motivo para não fazer. É motivo para fazer com gestão profissional desde o dia um.
A torcida aqui é sincera.
Mais concorrência qualificada é bom para o responsável (tutor) e para o mercado, especialmente quando o produto é concebido e governado por médicos veterinários, quem conhece o custo real de cuidar.
Fica a pergunta: o maior risco de um plano veterinário é atuarial ou de governança?
A aposta aqui é na segunda. Conta técnica errada se corrige em 12 meses. Governança errada leva anos….
Parabéns pela iniciativa !!!

Texto: Fabiano de Granville Ponce





