Princípios, metas e objetivos

Carolinne Torres
Caso você se depare com o seu Eu daqui 20 anos, o que iria achar da sua atuação como ser humano hoje?
Acredito que seja indispensável olhar para a nossa atuação de maneira ampla e identificarmos se nossa trajetória está fazendo sentido. Mas isso pode doer muito mais do que aparenta.
Já dei aula para muitas turmas de alunos, primordialmente de veterinária, tanto pós graduações quanto graduações, pessoas mais novas e mais experientes, pessoas dos 4 cantos do Brasil e até mesmo estrangeiros. Gosto do tema e acabo abordando ele dentro de aulas técnicas e mais ainda das aulas mais voltadas às softskills. Uma coisa é semelhante em todos: a falta de um tempo para parar e refletir sobre seus propósitos e o quanto o que estão galgando atualmente está alinhado aos seus propósitos.
Não somos ensinados a questionar, a refletir. Nossa curiosidade é lentamente lapidada para caber dentro do que julgamos ser |normal|. Mas quando nos empenhamos para manter acessa essa curiosidade e autenticidade – apesar de cara de se bancar – ela nos leva para um grande e belo lugar de conhecimento e apropriação de nossos caminhos.
Fazer muitos cursos técnicos e não refletir sobre o que te faz realmente sentir incompleto é a realidade de muitos (jovens ou nem tanto).
O que você está buscando?
O que está faltando?
Quais os seus princípios e valores e onde irá encontrar uma maneira de fazê-los representados?
Hoje eu vejo que toda a nossa inquietude e insatisfação moram, muitas vezes, no desalinhamento entre essas duas questões: quem eu sou como pessoa e quem eu sou como profissional. E acredito que quanto mais próximos estiverem ambos, mais alinhados, mais paralelos eles caminharem, melhor será a minha satisfação e, consequentemente, melhor será o meu desempenho.
Alguns trabalhos científicos mostram exatamente isso. Ou seja, que as pessoas que possuem mais autoconhecimento são àquelas que buscam significados maiores em seus trabalhos e possuem desempenho superior.
Olhar para dentro e depois acordar ao olhar para fora, como disse Jung, talvez ainda seja a melhor maneira de nos desenvolvermos – pessoalmente e profissionalmente.
A pressa para alcançar o próximo degrau pode nos custar tempo e saúde. Quanto mais tempo você demora para perceber que entrou no trem errado, mais demorado será o caminho de volta.
Abraços,
Carol Torres, PhD
- Shake it off: The role of self-consciousness in dictating whether dirty work reduces satisfaction through emotional exhaustion Journal of Management & Organization 31(6):2605-2624 DOI:10.1017/jmo.2025.10021
- Leadership Fitness Developing the Capacity to See and Lead Differently Amid Complexity. Harvard Business Impact / Perspective. Craig Dickerson, May 8, 2025





