Mudanças, riscos, oportunidades, adaptações.

Nos Estados Unidos, a maior empresa de saúde animal do mundo viu suas vendas de animais de companhia caírem 11% no segundo trimestre. Uma concorrente direta, vendendo para as mesmas clínicas, cresceu 11% na mesma linha.
Não é o mercado que encolheu. É a participação que mudou de lado.
Os números do 2T26 estão públicos.
➡️ Zoetis: receita de US$ 2,5 bilhões, estável na comparação anual, queda de 1% em base orgânica e corte no guidance do ano.
➡️ Elanco: US$ 1,368 bilhão, alta de 10%, com Pet Health nos EUA subindo 11% e projeção anual revisada para cima.
O que interessa aqui não é o placar entre duas companhias. É o diagnóstico que a CEO da Zoetis colocou na teleconferência de resultados, e que vale para qualquer hospital ou clínica no Brasil:
✅ visitas às clínicas veterinárias vêm caindo há anos
✅ aumentos de preço acima da inflação ao consumidor.
Os responsáveis ficaram mais seletivos. E a receita das clínicas migrou para urgência e emergência, enquanto o cuidado preventivo premium e o acompanhamento crônico seguem pressionados.
Vale reler essa frase com a DRE aberta ao lado.
No Brasil, a projeção da Abempet aponta crescimento de 9,6% e mais de R$ 80 bilhões em 2026 (eu não estou tão otimista assim…). A PET South America fechou a edição deste mês com 27 mil visitantes e recorde de R$ 36 milhões movimentados nas rodadas de negócios. O setor cresce, sim. Mas crescimento de faturamento setorial e frequência de retorno do cliente são coisas diferentes, e é a segunda que sustenta margem.
Um negócio veterinário que cresce por ticket enquanto perde frequência está, na prática, financiando o próprio desgaste. Cada real a mais na conta empurra o responsável para adiar a próxima consulta.
O ciclo se fecha quando a operação passa a viver de emergência
👁️ receita alta
👁️ previsibilidade baixa
👁️ equipe exaurida
👁️ pouquíssimo vínculo construído.
O caminho oposto não é vender mais barato. É construir recorrência com valor percebido: 📈 protocolos preventivos desenhados como jornada e não como atendimento avulso
📈 comunicação ativa entre consultas
📈 planos de saúde estruturados com sustentabilidade atuarial
📈 indicadores que meçam retorno, não apenas caixa.
A pergunta que separa as operações que vão atravessar 2027 das que apenas vão sobreviver a 2026 é simples.
Quantos dos seus clientes voltaram nos últimos doze meses?
Se essa resposta não estiver no painel da diretoria, o faturamento pode estar contando uma história que a operação não sustenta.
E aqui vai uma posição impopular: talvez acompanhar taxa de retorno seja mais determinante para o resultado de uma clínica do que acompanhar ticket médio.
Fontes: releases do 2T26 de Zoetis e Elanco, Abempet e PET South America 2026.
Texto – Fabiano de Granville Ponce





