Ânima fecha acordo com Einstein. Mercado elogia racional, mas questiona preço

Pedro Arbex
Poucos meses depois de fechar a aquisição da FMU, a Ânima Educação anunciou ontem um novo investimento relevante que pegou os investidores de surpresa.
A dona da Anhembi Morumbi e São Judas fechou uma parceria com o hospital Albert Einstein para receber serviços de consultoria de educação médica e usar a marca do hospital – um dos mais respeitados da América Latina – nos cursos da Inspirali, sua vertical de saúde.
O racional da transação foi elogiado pelos analistas. O problema, para alguns, foi o preço, dado que os benefícios da aquisição ainda são difíceis de mensurar e vão depender de diversos fatores.
Depois de abrir em queda de 7%, a ação da Ânima perdia 4% no final da manhã, num dia em que o Ibovespa sobe 1,5%. A empresa vale R$ 2,15 bilhões na Bolsa.
Pelos termos do acordo, que tem duração inicial de 20 anos, a Ânima pagará R$ 150 milhões de imediato ao Einstein, além de uma comissão de 6% da receita de todos os alunos que entrarem na Inspirali após a assinatura do acordo.
Há ainda um pagamento anual adicional, entre 2027 e 2036, cujos termos não foram divulgados pelas companhias.
“Estamos fazendo um movimento único, irreplicável, e que coloca os nossos cursos de medicina em uma liga superior em termos de qualidade,” o CFO Átila Simões disse ao Brazil Journal.
“Vamos trazer excelência acadêmica de nível internacional para os nossos cursos. O Einstein é o melhor hospital do Hemisfério Sul e o décimo sexto melhor do mundo. É um diferencial enorme.”
O CFO disse que este posicionamento premium da Inspirali será acompanhado de uma precificação equivalente; uma maior relação candidato/vaga, o que deve levar a melhores notas no Enamed; e um menor uso de financiamentos estudantis.
No Citi, o analista Leandro Bastos disse que, ainda que concorde com a estratégia da companhia de aumentar o valor percebido em meio a um cenário cada vez mais competitivo e regulamentado para as faculdades de medicina no Brasil, “a visibilidade sobre o economics marginal ainda é limitada neste momento.”
“Os retornos vão depender da habilidade da Inspirali de traduzir a taxa upfront e os royalties recorrentes em benefícios financeiros tangíveis por meio de tíquetes maiores, melhor ocupação e uma retenção mais forte, o que ainda é muito difícil de mensurar nesse estágio.”
Do ponto de vista de alavancagem, o aumento parece ser “administrável”, “mas não é bem vindo dada a complexidade e risco de execução já associado com a recente aquisição da FMU,” disse o analista.
Nas contas do BTG, a comissão de 6% que a Ânima vai pagar deve representar cerca de R$ 100 milhões/ano depois que os novos alunos substituírem completamente os alunos existentes, e assumindo que a receita atual se mantenha estável.
“Quando consideradas as comissões recorrentes, o pagamento upfront e as potenciais taxas de contingência, estimamos que o NPV total do acordo pode chegar a R$ 600 milhões, dependendo da taxa de desconto e das premissas,” escreveu Samuel Alves, que cobre a Ânima no banco.
No sellside, o analista que mais elogiou a transação foi Marcio Osako, do Bradesco BBI. Para ele, a melhoria da qualidade e a associação à marca Einstein “devem sustentar a demanda e o poder de precificação, ao mesmo tempo que reduzem os riscos regulatórios decorrentes de exigências mais rigorosas (por exemplo, a obrigatoriedade do exame Enamed para o exercício da medicina).”
O Bradesco estima que a transação pode gerar um VPL positivo de R$ 332 milhões para a companhia, equivalente a 16% de seu valor de mercado.
Nessa conta, ele considerou como premissas um aumento de 3% no número de alunos, a conversão de 60% dos alunos financiados para o pagamento com recursos próprios e uma diferença de 30% entre as mensalidades.
Fonte: https://braziljournal.com/




