A influência das redes sociais nas decisões de saúde animal
por Aline Santana

Em conversas recentes com colegas veterinários, tenho percebido uma preocupação crescente em relação à influência das redes sociais e dos “influenciadores” nas decisões relacionadas à saúde animal.
Fato é que os tutores têm utilizado cada vez mais as redes sociais como uma das principais fontes de informação. Esse é um fenômeno que não se restringe à medicina veterinária, mas que ocorre em diversas áreas da saúde.
Mas talvez a nossa principal pergunta agora não seja como reduzir a influência dos “influenciadores”, e sim como ampliar a influência da informação de qualidade. Como aumentar a presença de profissionais qualificados nos ambientes digitais, capazes de se comunicar de forma clara, acessível e confiável.
Esse estudo recém publicado na Veterinary Record mostra exatamente esse desafio.
Os pesquisadores analisaram os 50 vídeos em inglês com maior engajamento no TikTok sobre prevenção de carrapatos em cães e gatos. Eles observaram que 92% dos vídeos haviam sido produzidos por “influenciadores” sem formação veterinária.
Além disso, era frequente a divulgação de abordagens consideradas “naturais”, muitas vezes acompanhadas de mensagens como “livres de produtos químicos” ou “mais seguras”.
Esses dados mostram que, além de impactar a relação entre veterinário e tutor, esse tipo de conteúdo pode influenciar as decisões de compra dos tutores e, consequentemente, o próprio mercado da saúde animal.
Por isso, ao meu ver, esse é um tema que impacta de forma ampla o ecossistema da saúde animal. Talvez a grande questão não seja discutir a presença dos “influenciadores”, mas a ausência dos verdadeiros especialistas nos espaços digitais. Saber comunicar com responsabilidade e clareza é, sem dúvida, um dos maiores desafios, e necessidades, da medicina veterinária para os próximos anos.
Concorda? Qual a tua opinião sobre o assunto?
por Aline Santana, Médica Veterinária, PhD





